quarta-feira, 20 de janeiro de 2010


Quando conhecemos uma pessoa jamais conseguiremos imaginar o que ela carrega na alma...
Uma pessoa bonita, interessante, usando vestido de paetês na balada, cabelos loiros, perfume importado e salto alto, certamente irá atrair muitos olhares...
Ela estará sensual, charmosa... mas sua alma cheira a mofo.
Seus olhos estão contornados de tinta preta, eles brilham, mas não de amor...
Seu corpo é todo pecado, provocação.
Um homem se aproxima e a beija... ela retribui, mas jamais o amará, jamais.
O coração dessa mulher é pura dor, não bate mais. Apenas pulsa para sobreviver.
Mas ela segue linda, com seus vestidos esvoaçantes, espalhando charme e seu perfume pelo ar...
Muitos apaixonam-se por ela, mas seu coração segue intacto, na batida de um coração que a amou intensamente um dia.
Mulher bonita, sexy e com cheiro de mofo na alma.
Seguirá noite a noite, espalhando um pouco da sua frieza e descontentamento.
Quando conhecemos uma pessoa, realmente não sabemos o que ela carrega de dor e vida...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Amor

Hoje é um dia especialmente triste para mim.
Mais uma vez perdi o rumo, mais uma vez agi de forma precipitada...
Mais uma vez estamos sós...

Fico me questionando, voltando a fita, tentando me lembrar exatamente do momento em que nos partimos novamente...
É tanto ir e vir, tanto sentimento envolvido e meu coração está assustado. Medo de ter perdido de vez meu coração.

Para Deus tudo é possível, até ensinar uma menina complicada a amar...
É tudo o que tenho pedido em minhas orações...
Para ser alguém melhor... para mim e para você.

Esse post é para meu pan.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Cheiro de grama



Eu não poderia deixar de escrever esse post.
No caminho para a agência, passei por trabalhadores aparando a grama de um condominío com aquelas máquinas que cortam girando bem rápido.
Nossa, o cheiro que esse processo libera é um dos meus prediletos. É um aroma maravilhoso, que invade as narinas, me faz fechar os olhos por algum instante e respirar profundamente, desejando inundar-me com essa abundância de natureza bruta.
É um contraste enorme com a loucura dessa cidade construída em cimento, mas ainda bem que existem momentos assim, poucos, mas existem. São momentos que nos colocam em contato com nossa essência humana, tão esquecida no dia-a-dia do mata-fome. Para viver em São Paulo é preciso esquecer-se dessa condição.
Com o passar dos anos e a constante cobrança em "ser", a gente vai ficando indiferente às necessidades alheias, perde-se a compaixão, a solidariedade e o olhar... Vive-se no automático. Os dias, as semanas e os meses vão passando como um trailer e a gente aqui, sentado na poltrona, aguardando o início do filme... E ele não passa.
Vive-se o trailer.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Em São Paulo

Na cidade de São Paulo, na imensa cidade, o ir e vir são automáticos. Quando o coração para por alguns instantes, não há tempo para aguardar a batida certa novamente. A cobrança é imediata, é preciso estar atento, ou perde-se o trem.
Quando o coração está perdido, só resta mesmo aguardar.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Fim do 1º Tempo






E o juíz se posiciona para apitar o fim do 1º tempo.
Em São Paulo, a partida é entre ela e o tempo.
Olhou para trás e percebeu que a jovialidade característica dos vinte e poucos anos já não lhe pertencia mais.
Havia ficado para trás, no primeiro tempo da partida.
Revisou antigas fotos e percebeu quanta quanta coisa ela deixou passar.
Jamais será a mesma.
Jamais dará risada das mesmas coisas.
Mas, ao mesmo tempo, em meio a tantas bipolaridades, ela percebe que estar mais próxima de Balzac não é assim tão ruim.
Que com os trinta, vem junto a serenidade, a calma de esperar pelo momento certo, sem afobar-se. Mas, para algumas coisas, o fim do primeiro tempo lhe assombrava.
Já não tinha mais tempo para tantas escolhas.
A vida se apresentaria assim como és e cobraria dela apenas sua resignação.
A vida agora seria como um conta gotas.
Dia após dia, gota a gota, cada detalhe faria toda a diferença no resultado final.
Seu vestido de noiva já não poderá ser tão esvoaçante.
Seus sonhos já não podem mais não estar alicerçados na realidade.
Filhos, caso queira tê-los algum dia, já não lhe resta mais "toda uma vida" para decidir engravidar.
A vida se apresentava com óvulos a menos, homens cada vez menos jovens e já com histórias vividas com suas ex-esposas do primeiro tempo.
Por um instante ela pensou em como estava a vida dessas mulheres abandonadas no segundo tempo da partida...
...
Enfim, para ela, restava construir uma história típicamente primeiro temponiana (com o perdão do neologismo) e tentar ser como a árvore da primavera.
Que ainda dá seus frutos.
Pois o prenúncio de outono, a partir de agora, será cada vez mais presente em sua vida
E tudo o que ela desejava naquele momento crítico de fim de primeiro tempo
Era não deixar que suas folhas secas se espalhassem pelo caminho...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Era uma vez um menininho

Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande.
Uma manhã, a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer um desenho.
"Que bom!"- pensou o menininho.
Ele gostava de desenhar leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos...
Pegou a sua caixa de lápis-de-cor e começou a desenhar.
A professora então disse:
- Esperem, ainda não é hora de começar !
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora, disse a professora, nós iremos desenhar flores.
E o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul.
A professora disse:
- Esperem ! Vou mostrar como fazer.
E a flor era vermelha com caule verde.
- Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.
O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor.
Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso...
Virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora.
Era vermelha com caule verde.
Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro.
- "Que bom !"!!!. Pensou o menininho.
Ele gostava de trabalhar com barro.
Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões.
Começou a juntar e amassar a sua bola de barro.
Então, a professora disse:
- Esperem ! Não é hora de começar !
Ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora, disse a professora, nós iremos fazer um prato.
"Que bom !" - pensou o menininho.
Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.
A professora disse:
- Esperem ! Vou mostrar como se faz. Assim, agora vocês podem começar.
E o prato era um prato fundo.
O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso.
Amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora.
E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora.
E muito cedo ele não fazia mais coisas por si próprio.
Então aconteceu que o menininho teve que mudar de escola.
Essa escola era ainda maior que a primeira.
Um dia a professora disse:
- Hoje nós vamos fazer um desenho.
"Que bom !"- pensou o menininho e esperou que a professora dissesse o que fazer.
Ela não disse.
Apenas andava pela sala.
Então veio até o menininho e disse:
- Você não quer desenhar ?
- Sim, e o que é que nós vamos fazer ?
- Eu não sei, até que você o faça.
- Como eu posso fazê-lo ?
- Da maneira que você gostar.
- E de que cor ?
- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber o que cada um gosta de desenhar ?
- Eu não sei . . .
E então o menininho começou a desenhar uma flor vermelha com o caule verde...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Divã


Assisti Divã, com Lilia Cabral e grande elenco. O filme já estava em casa havia algumas semanas e eu não tinha me animado para tê-lo como minha companhia num dia frio. Mas, ontem, era a única opção. O coloquei no aparelho de DVD, preparei as cobertas e assisti de conchinha. Belo programa para um domingo de garoa fria na cidade de São Paulo.
Comecei a assistir sem esperar muito das cenas. Apesar que eu já tinha assistido a peça há alguns anos e havia gostado muito.
O filme segue num bom ritmo e já nos primeiros minutos cativa. Lilia é mesmo magnífica em cena. Eu, com o pezinho nos 30, não tive muito com o que me identificar no enredo. Mas me identifiquei completamente com a história.
A história desse filme é a história da vida das pessoas. É a história de uma mulher que, após 20 anos de casada, procura um analista porque não consegue identificar a razão de sua insatisfação. Tem um marido, filhos, uma casa, um sustento. Mas algo a incomoda.
Ela "sacode" quando pergunta para si mesma se entrou na portinha certa, fazendo uma engraçada analogia com porquinhos. Percebe que não quer viver uma vida enfadonha, sem grandes saltos. A certeza, por vezes, pode ser o único sentimento que não se pode procurar.
Ela segue a vida com uma grande amiga (foto). É realmente maravilhoso ver o poder de uma boa amizade. E a vida da amiga também é igual a muitas que se vê por aí...
Enfim, esse post não é uma análise crítica do filme. Jamais teria essa pretensão. Eu apenas senti a necessidade de deixar registrada a lição que eu tirei dessa história.
A de que a vida não é a certeza, não é sempre o bom senso. Ela é o incerto, a inconstância. E que a grande "sacada" é seguir sabendo lidar com tudo isso, com suas próprias incertezas, dúvidas, inconstãncias. E que nem sempre o que parece certo é o certo.
Às vezes, a vida segue o script da maneira que a sociedade desenhou: festa de 15 anos, carro aos 18, formatura aos 22, casamento aos 25, filhos aos 27 e... divórcio aos 45. E aí, seu rosto já não será mais o mesmo, nem seu corpo. Você achou que teria um companheiro por toda a vida e a vida tem vontade própria.
É... eu tenho quase 30 e meu script é o mais improvável possível. Muita coisa ainda pode acontecer e me surpreender! Afinal, não sigo padrões. Embora esteja rodeada deles.